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Camisetas bordadas da marca Giucouture

Após assumir a direção criativa da Dior, Maria Grazia Chiuri apresentou na semana de moda de Paris a camiseta que se tornou a mais famosa da temporada que se lia we should all be feminists. Quatro meses depois, em janeiro deste ano, acontecia nas ruas de Washington, Los Angeles, Londres, Nova York e Paris a Women’s March, um dos maiores manifestos do mundo contra a política segregacionista do presidente dos EUA, Donald Trump.Um dos elementos principais do movimento foram as camisetas com mensagens feministas.

Não demorou muito para que outras marcas, de fast-fashion ao luxo, também aderirem as camisetas seus ideais em defesa a ideias sexistas e misóginas.

Coincidentemente o timing foi a deixa para a jornalista de moda Giuliana Mesquita, um pequeno incidente fez com que ela bordasse uma camiseta para dar de presente a seu melhor amigo, a partir da ela percebeu que gostava de bordar. Dai em diante começou a customizar suas próprias camisetas e de outros amigos com frases como The Future is Feminist e Gay Power. Todas amaram e começaram a postar. Assim nasceu a marca Giucouture,suas camisetas são feitas sob medidas.

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Por Elizangela Gomes professora do núcleo de criação da escola de moda Sigbol.

Referências: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11.

Creative Friday: Bordado

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Essa semana CUSTOMIZAMOS os nossos croquis!

Como?

Com bordado!

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Sim! Essa arte milenar que desde os primórdios enfeita adornos com desenhos e formas históricas.

Os gregos e egípcios foram os primeiros a utilizar tal forma de arte em vestimenta, ainda no Oriente, séculos depois o bordado ganhou forma e muitas vezes o tecido a receber os pontos contavam histórias de guerras.

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Com o incentivo de mosteiros da época, rainhas e damas da corte durante o século VI em diante adotaram como hobby o bordado que se espalhou pela Europa e Ásia.lilac_simple_embroidery_by_uszatyarbuz-d6cngdj

Tempos depois a máquina de bordar foi criada, porém o uso da agulha e da linha manualmente nunca perdeu seu espaço e charme!

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História do bordado.

Quando ouvimos falar de bordados, logo vem a memória filmes de época, pois aprender bordar fazia parte das tarefas das mulheres, que preparavam seu enxoval com peças lindíssimas e tudo feito artesanalmente.  Hoje também temos essas peças feitas por várias bordadeiras, e não só em enxovais, como em peças de vestuário.

E vocês conhecem a história do bordado? Então vou contar um pouquinho.

Bordado é a arte de decorar com imagens e figuras, utilizando fio e agulha. O bordado pode ser feito manualmente ou a máquina, hoje em dia existem maquinas bem modernas computadorizadas que bordam todo tipo de imagem. Esses bordados podem ser feitos com linha ou podem variar com materiais mais sofisticados como paetês, vidrilhos, miçangas, pérolas além de pedras preciosas e semipreciosas.

Imaginem vocês que o primeiro ponto utilizado foi o ponto cruz, e originou-se na pré-história,suas vestes feitas com pele de animais eram costuradas com agulhas feitas de ossos e os fios feitos de fibras vegetais ou tripas de animais,( ainda bem que hoje em dia, não precisamos usar tripas de animais para bordar e temos a opção de usar pele sintética para confecção de roupas),  segundo a história, além de usarem o bordado para adornos em suas vestes também usavam nos objetos utilizados em suas casas.  Na Rússia foi encontrado um fóssil que tinha em suas vestes aplicações em grânulos de marfim, com estimativa de data de 30 mil anos a.C. .

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Até mesmo na Bíblia são feitas referências ao bordado. As civilizações antigas que moravam as margens do rio Eufrates, difundiram essa arte. Se observarmos monumentos da Grécia antiga, 2000 a.C. à 3000 a.C. veremos que suas túnicas eram bordadas, em documentários sobre a Guerra de Tróia, entre 1300  a.C.  a 1200 a.C., em plena idade dos metais, fim da Idade do Bronze e início da Idade do Ferro, Homero fala sobre os bordados de Helena e Andrômaca.

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Os Romanos na época do Império utilizavam o bordado para adornar suas vestes e utensílios, o bordado foi considerado símbolo de riqueza. Podemos encontrar também belos bordados confeccionados pelas civilizações antigas no Antigo Egito, China, Pérsia, Índia e Inglaterra.bordado imagem 5 bordado imagem 6 bordado imagem 7 bordado imagem 8

Cada país tem seu estilo de bordar, fruto da sua cultura e de seus valores, reproduzindo a sua tradição e identificando a sua história. O oriente médio aperfeiçoou e criou técnicas na arte de bordar, que até hoje são utilizadas nos bordados manuais.

A partir do século VII, o bordado tornou-se uma prática comum no Ocidente e nos séculos seguintes as abadias, e os mosteiros começaram a incentivar o bordado e cederam seus espaços para a prática da arte, damas da corte e até rainhas começaram a dedicar-se ao bordado.

Várias cenas da história foram retratadas em tecidos bordados, como por exemplo o “Bayeux Tapestry” , bordado com 231 metros de comprimento que mostra a Batalha de Hastings em 1066.

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E foi nesse século que o bordado de motivos militares, os que identificam países, regiões, impérios, escudos, brasões, pendões, armas em diversas cores, surgiram e até hoje podemos ver esta prática em fardas, flâmulas, bandeiras, e símbolos.

Na Idade Média, no final do século XII e século XV existem muitas referências sobre bordados, a Itália teve grande colaboração em propagar o bordado por toda Europa, que ao longo do tempo começou a tomar novas formas sendo recortado dando origem as rendas, e alcançou seu auge no século XVI tornando-se artesanato decorativo.

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Na Idade Moderna século XVI, encontraremos os Bordados em Blackwork, feito por Catarina de Aragão, esposa de Henrique VIII, em 1509, nesta época o bordado era ensinado somente às mulheres da corte.

bordado imagem 11Com o tempo, o bordado espalhou-se pela Europa, Ásia e Estados Unidos, tornando-se uma arte popular, eram bordados como letras do alfabeto, casas, borboletas, flores e diversos outros motivos assinadas pelo bordador, na Inglaterra foram encontrados trabalhos feitos em 1598.bordado imagem 12

Em 1834, o alemão Josué Heilmann criou a máquina de bordar, esta invenção recebeu Medalha de Ouro.

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E foi no século XX que o bordado manual e o feito a máquina passaram a conviver juntos, o bordado nas escolas era uma matéria ensinada a meninas, que aplicavam a técnica em seu enxoval, o que na época era moda e muito apreciado, ter todas as peças de bordado manual. Na década de 80 com a evolução da informática, surgiram máquinas de bordar integradas com softwares, profissionais e industriais que facilitam e aumentam a produtividade.

Mas o bordado manual é algo único, ainda usado por muitos estilistas, que tornam a peça exclusiva, tanto o bordado de linha, como o de pedraria. Podemos deixar a criatividade e imaginação nos guiar e criar peças autênticas e maravilhosas. Para quem achava que bordado é só para enxoval veja o que é possível fazer com essa arte!

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Pedraria:

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Morri!final

Venha conhecer nosso curso de customização aprender a técnicas de bordado e muito mais.

 

Bordado, história, customização, pedraria, linha, luxo, ponto cruz, arte

 

Por, Pri Marx professora do Núcleo de Criação da Sigbol Fashion.

Referências: 123456789101112131415161718,

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Máquinas Industriais

Diferentes das caseiras, as máquinas industriais são aquelas especificas para fazer certos tipos de costura e acabamento, possuem altos valores (podendo chegar em torno de seis mil até quinze mil reais ou mais), voltadas para indústria por suportarem uma grande produção e serem resistentes. Nos dias atuais, são, em sua maioria, totalmente eletrônicas.

Alguns exemplos são:

Caseadeira: máquina de grande porte, podemos encontrá-la no mercado como caseadeira reta e caseadeira de olho. Tem a simples função de fazer somente o ponto caseado.

Caseadeira reta:

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  • Máquina eletrônica
  • Velocidade máxima de 4200 ppm
  • Largura do caseado de 2,5 a 6,0 mm, e corta a linha automaticamente
  • Comprimento do caseado 9 a 120 mm
  • Enchedor de bobina
  • Painel digital que permite a regulagem para diferentes tipos de caseados

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Caseadeira de olho:

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  • Possui corte de linha automático
  • Painel digital para ajuste do caseado
  • Velocidade de 1000 a 2500 ppm
  • Tamanho do caseado de 5 a 50 mm
  • Fácil manutenção

 

Botoneira: máquina moderna, de grande potência, fácil manuseio e alta qualidade, ideal para indústria

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  • Pode pregar botões de 2 a 6 furos, de diferentes formatos
  • Possui sistema automático para cortar linha e levantar o calcador
  • Painel digital para controle dos pontos
  • Calcador em forma de pinça que permite o encaixe perfeito para o tamanho do botão

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Elastiqueira: Também para indústrias de grande porte.

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Possui variação de agulhas entre 4 e 6, podendo pregar e rebater o elástico. Permite aplicação de cós e possui um cilindro atrás das agulhas para uma melhor distribuição do elástico.

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Fechadeira de braço: máquina moderna, com capacidade para grande produção, é especifica para costura de camisas sociais e para fechar pernas de calça jeans.

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Possui um calcador que dobra o tecido, ao mesmo tempo que faz a costura, popularmente conhecida como costura inglesa

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Pespontadeira: máquina industrial para grandes produções, costura com 2 a 4 linhas; ideal para dar acabamento em peças que já foram costuradas na interlock, essa máquina é bem similar á reta industrial, incluindo a função do retrocesso, podendo fazer costuras com 1 a 3 agulhas.

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Travete: Usada para dar reforço à determinadas costuras da peça, por exemplo, calças jeans, jalecos e lingeries.

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Máquina moderna, com painel digital e corte de linha automática.

 

Máquina de Bordar: Possui varias opções, de acordo com a sua necessidade, podendo ter de 1 a 4 cabeças (e até mais). Possui bastidores, para manter o tecido plano e um bordado perfeito essas maquinas são modernas e totalmente automáticas.

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O importante a saber é que cada máquina tem sua função, única para cada necessidade, e, apesar de terem um custo mais alto, são máquinas potentes, ideais para quem quer investir em uma confecção. #ficaadica

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Por Cynara Gomes, professora do Núcleo de Modelagem da Sigbol Fashion

Referências: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 13, 14, 15 e 16

Voltando às origens – Moda e Arte na contramão do fast fashion

A evolução pela qual passou a moda em toda a sua história, e o “boom” capitalista que se tornou, se deve à revolução industrial e a produção em massa. Antes disso, os processos eram artesanais, envolvendo arte, sonhos, mãos habilidosas, pensamentos vagando entre agulhas e toda a sensibilidade que isso provoca – Não que hoje isso não exista mais, mas os processos industriais dominam e muitas vezes, bloqueiam um pouco o criativo, em uma corrida por produção, vendas exorbitantes e lucro imediato.

Enquanto isso na contramão, sobrevivem artesãos, costureiras, alfaiates, bordadeiras, crocheteiras entre outros profissionais que, mantendo tradições, sem pressa nem atropelos, mantém viva a arte da encomenda, do sob medida, da produção artesanal.

E não pensem que os sobreviventes são as vovós e titias! Despontou agora um movimento de “Slow Fashion” em que a produção artesanal tem superado a ansiedade por vendas e driblado a estrutura escravocrata, e dois nomes despontaram nessa trilha: Gabriel Pessagno, com seus bordados e Gustavo Silvestre, com seus crochês.

Gabriel Pessagno cursou moda  e após passar pelas estruturas rígidas da indústria, montou uma marca (River) e, insatisfeito, optou por pesquisar o trabalho feito nas maisons e deciciu que queria trabalhar cada peça de roupa artesanalmente.  

Gabriel já fez bordados para a marca Tilda, para ateliês de moulage e está iniciando sua produção. Assim, o garoto que fez roupas bordadas com parafusos, porcas, entulhos e pedaços de ferro velho para o TCC de seu curso de moda, está só no começo de uma carreira que promete deslanchar com muita sensibilidade e sucesso.

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            Gustavo Silvestre é natural do Recife, fez diversos cursos na área, ganhou prêmio de moda em Brasília e participou da Casa dos Criadores. “Até que fui pra China, havia uns investidores interessados no meu trabalho, a ideia era baratear a produção, que sempre teve essa coisa do manual, da estampa à mão. Voltei decepcionadíssimo. Ver aquela quantidade de roupas sendo feita, eles me perguntando ‘quantos contêineres você vai querer’, a estrutura deu um nó na minha cabeça”, conta o estilista. E após parar, repensar e respirar, acabou descobrindo uma nova trilha, e com a Stylist Chiara Gadaleta, do projeto Mãos do Brasil, mapeou comunidades de artesãos e com isso, acabou pegando gosto pelo crochê e resolveu aprender a técnica. Gustavo se diz muito mais realizado agora, atendendo com hora marcada e divuldando sua obra pelas redes sociais, “Eu não tenho escravo, está bem mais prazeroso. Ganhei uma cadeira de balanço, sento lá e se deixar, passo o dia me balançando e fazendo crochê”, conta. O estilista que já vestiu Karina Bu, Céu e Vanessa da Mata, agora prepara uma coleção de jóias de crochê para a estilista Adriana Barra.

4, 5 e 6

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Por Camilla Capucci – Professora do núcleo de moda da Sigbol Fashion

Referências: 1, 2 e 3.